O cantor, compositor e músico Péri (Periandro Cordeiro Nogueira) nasceu no bairro do Tororó, centro de Salvador, capital da Bahia, no dia 14 de setembro de 1965, onde escutava ainda menino, o som dos blocos de batucada mais tradicionais do bairro, "Secos e Molhados" e "Apaches do Tororó", que se concentravam nos dias de Carnaval na porta da casa de seus avós, na rua da Capelinha, quintal da igreja de Nossa Senhora da Conceição do Amparo do Tororó.

Despertado o interesse pela música, aprendeu as primeiras noções de violão com o seu tio-avô, o violonista Amilton Ferreira. Montou em seguida a Banda Deita e Rola com amigos do Bairro do Acupe (Chico Nascimento, Paulinho Mesquita, Luiz Galvão e Adno Rezende) Foi o passo inicial para os festivais de escola, apresentações como crooner de boate, bares, em bailes e em carnaval, quando cantou na Banda Pike em 86 e 87. Em seguida, já na carreira solo se apresentou em algumas casas tradicionais da capital baiana: Teatro Castro Alves, Concha Acústica e os teatros do ICBA e da Acbeu, Bar Canoa, Bar Berimbau, etc...

Reconhecidas suas qualidades, Péri foi destaque nas edições de 86 e 90 do Troféu Caymmi - o mais respeitado e concorrido da música baiana -, levando os prêmios de melhor compositor, intérprete, produção, show, iluminação e banda.

Chegando em São Paulo em 1991, após a fase de adaptação, Péri volta aos palcos - esteve no Crowne, Hall, Piccolo, Memorial, Melograno, Sesc Pompeia. Foram muitos shows até a primeira experiência em estúdio...



“A cama e a tv” 1997



Dos prêmios ganhos na Bahia, tira inspiração para o primeiro CD solo e independente, “A Cama e a TV”, de 97, com composições próprias e parcerias com Beto Pellegrino e Aninha Franco, além de releituras e uma composição inédita de Péricles Cavalcanti. Péri assinou a produção e os arranjos. Ali, ele aparecia nacionalmente. A crítica elogiou: MPB moderna, voz privilegiada, letras inspiradas e melodias sutis.



“Morda minha língua” 2000



Em 99, Péri foi levado para uma temporada em Los Angeles. A convite do selo americano Snow Creek, trancou-se em estúdios, experimentou tudo que tinha direito nas novas canções e em fevereiro de 2000, gravou e finalizou o disco nos Studios Red Zone, em Los Angeles, o seu 2º cd “Morda Minha Língua”, lançado em Hollywood em setembro de 2000, no Projeto Brazilian Nites, ao lado de Geraldo Azevedo e Elba Ramalho. O disco revelou um Péri amadurecido musicalmente, mais detalhista com letras e arranjos e se valendo de efeitos eletrônicos como samplers e grooves, usados com critério, e sempre como ferramenta de valorização da canção. Entre 2001 e 2002, além de shows em algumas grandes casas das capitais brasileiras, (Teatro Castro Alves, Sesc Pompéia, Concha Acústica, entre outras), Morda Minha Língua também foi apresentado no Festival Internacional de VIC/Barcelona.



“Ladainha” 2003



No ano de 2003 Péri lança seu 3º Cd, “Ladainha”, com 12 canções de sua autoria, pelo selo Albatroz, a convite do consagrado Roberto Menescal, que participa com seu primoroso violão na música Lá. Outra participação especial no cd é a do sanfoneiro Oswaldinho do Acordeon na faixa Seita. Ladainha foi lançado em espetáculo único no Teatro do Sesc Pompéia.

Nos palcos, acompanhando o cantor, os músicos Rodrigo Fonseca (parceiro e também produtor do disco), nos violões e guitarra; Webster Santos, violões e vocais, e Luiz Cláudio, na percussão.
"É uma enorme alegria", diz Péri, "ter o disco lançado pelo selo do Menescal. Ele é um músico que sempre admirei de longe: um artista reconhecido internacionalmente, um ícone de uma música brasileira tão bonita e bem tocada. É uma honra para mim a participação dele no cd e no show de lançamento."

Reconhecido pela mais exigente crítica musical como um dos mais talentosos artistas da música brasileira contemporânea, tanto pela diversidade rítmica quanto pelas letras inspiradas, Péri criou uma concepção original para Ladainha: o espetáculo e o disco são montados em bases de violões, guitarras, percussão, com pouca presença de baixo.

Péri diz que Ladainha "é um disco montado a partir dos shows e ensaios abertos que fiz em 2002. Experimentei mais de 30 músicas novas para chegar às 12 que estão no cd. Neste período trabalhei sempre com apenas quatro instrumentos – dois violões, guitarra e percussão. É, sem dúvida, a busca em ser mais econômico, procurar a essência e não desviar a atenção (com arranjos elaborados, instrumentação grandiosa) daquilo que considero o meu veio: a canção, a melodia, a interpretação cuidadosa das letras que escrevo. Às vezes, até me repito propositadamente, como um mantra".

Por fim, Péri comenta: "Procurei encontrar e mostrar o bonito no simples. Dar espaço para que se ouçam também os silêncios, as pausas. E torço para que as pessoas ouçam o cd inteiro – ninguém parece ter mais tempo para isso: só ouvem duas ou três faixas. Acho que só as crianças ouvem um disco ou vêem um desenho ou um filme inteirinho e muitas vezes. Como se quisessem se aprofundar nas coisas. Parece que pensam ‘vou entender isso direitinho’."



“Samba passarinho” 2005



Em 2005, Péri realiza um antigo desejo de gravar só sambas em voz e violão e lança o cd “Samba passarinho”.São 10 faixas de sua autoria (Samba Passarinho, Redemoinho, Voyeur, Jurema, Só minha, Na lata, Depressa, Mentiras - todas inéditas – mais   O samba é bom e Mamãe falou – regravações de seus discos anteriores, e ainda “Dos prazeres das canções” de Péricles Cavalcanti e “Meu mundo é hoje” de José e Wilson Batista”.

Produzido e dirigido por Péri, com co-produção de Diogo Ramos, o CD ainda conta com uma faixa bonus, um delicioso e daçante remix de “Samba passarinho”, produzido pelo produtor musical Chamberlain.

Gravado ao vivo e em apenas três dias de dezembro de 2003 nos Estúdios Baticum, em São Paulo, o novo CD prima pela delicadeza e simplicidade, mas sem diminuir a sofisticação dos arranjos e harmonias, revelando na voz, nas  letras  e  no sincopado das interpretações a intimidade do artista com as nuances do samba, repeitando e inovando  a  tradição  da Música  Popular  Brasileira.

Escutar o CD “Samba Passarinho” é fazer uma viagem ao cotidiano do amor, com suas dores e alegrias, materia prima da história do samba, é cair na trama das relações e em suas infinitas formas, é resgatar a dignidade, perceber as coisas simples do cotidiano, mas não menos importantes, é fazer uma ode ao Samba, um tributo à música, uma homenagem à vida, um sopro de alegria.

Samba passarinho foi indicado ao Prêmio Tim e ao Grammy em 2006.



“2º Tempo” 2007

















Os que ouviram o elogiado cd Samba passarinho , lançado por Péri em 2005 e finalista dos Prêmios Tim e Grammy Latino, hão de imaginar que 2º Tempo, novo trabalho que está chegando agora ao mercado pelo selo Baticum, com distribuição internacional da Tratore, seja uma continuidade do mergulho que o compositor e cantor fez no mais brasileiro dos ritmos. E não estarão de todo errados, já que, mais uma vez, o artista esbanja competência ao abraçar o samba.


Para realizar este 2ºTempo, Péri, que se diz imensamente feliz com o resultado alcançado com Samba Passarinho, conta que sentiu vontade de dar sequência ao seu jeito de fazer samba. A diferença é que, ao contrário do trabalho anterior, em que fez um cd de voz e violão sozinho em seu estúdio, foi buscar a sonoridade da guitarra semi-acústica em união com a bateria, cercando-se, ainda, de excelentes companhias. O resultado é um trabalho primoroso na sua estrutura e flagrante de uma evolução artística.


Mas iniciar o trabalho não foi tão simples assim. Embora já tivesse formato e conceito do cd em mente, o artista não tinha planos de gravar tão rapidamente um novo trabalho. “Eu queria me dedicar mais ao estudo, mergulhar em pesquisas e, inclusive, flertar com outras linguagens artísticas”, revela ele. Mas, no momento em que considerava estas possibilidades, viu confirmada a sua tese de que a música sempre se impôs em sua vida e que, àquela altura, não seria diferente.


Repentinamente, Péri se viu, mais uma vez, dentro do próprio estúdio (Baticum), de posse da recém-adquirida guitarra semi-acústica, gravando mais uma leva de suas canções. Das 13 que compõem o novo cd, só duas não são suas: Três sorrisos (Mário Lago/Chocolate) - gravada antes por Nelson Gonçalves, e a inédita O Amor (Beto Pellegrino). Trabalho pronto, chamou o baterista Serginho Rezende para unir-se a ele com suas batidas.


Ao final, Péri diz que estava realizado esteticamente, mas longe de estar emocionalmente realizado. O sentimento foi o de alguém que comprara um barco e tivesse vontade de chamar amigos para embarcarem com ele numa viagem. Isto fez com que arregimentasse um grupo de músicos para as participações especiais.

Foi então que Péri começou a, efetivamente, construir este 2º Tempo. Ele precisava sentir-se acompanhado, dividindo o prazer da realização. Vieram então o baixista Fernando Nunes (Bola da vez e Dê o fora); o guitarrista Rodrigo Fonseca (Segundo tempo, Mil maravilhas e Veloz), o violonista Webster Santos (O mundo virou e Maledicência), o percussionista Ricardo Valverde (Segundo tempo e Cadê quem) e o violinista Ricardo Hers (O amor).

Ao estarem todos no mar, fala Péri, da areia avistou outro grupo que também desejou chamar para seguir viagem. É nesse momento que ele decide convocar belas vozes femininas para dar o fechamento desejado ao trabalho.

Coincidência ou não, Péri, que migrou da Bahia para São Paulo, mas, nunca deixou de reafirmar suas origens nas letras de suas composições e nas suas falas, foi buscar uma seleção de baianas para dividir com ele os vocais em quatro faixas do cd. Vânia Abreu, fiel intérprete de composições suas, brilha em O mundo virou; Jussara Silveira, amiga de longas datas, aparece em Veloz; Marcela Bellas, que Péri viu num show em São Paulo e cuja modernidade o encantou, chega em Dor de cotovelo; e com Sylvia Patrícia, outra amiga dos tempos de Salvador, ele divide Tem quem queira.

Disposto a aumentar o grupo, Péri ainda chamou Beto Pellegrino, com quem já havia dividido a autoria de Senhora dos prazeres e Nada por não ter em seu cd de estréia, a Cama e a TV, e Luiz Ariston, que assinou com o mesmo Pellegrino O limite, do disco Morda minha língua. Aqui, o primeiro traz O amor e, o segundo, divide com ele Cadê quem.

Enfim, a se considerar a máxima de que o samba só é bom quando tem gente bamba, 2º Tempo é um trabalho sob medida, e seu autor pode comemorar o fato de tê-lo deixado entrar em seu script.













“o meu amor maior do mundo” 2008




Um Cd com 20 Canções da obra de Roberto Carlos, onde Péri, além de produzir, tocou todos os instrumentos.

Este álbum nunca foi comercializado.




“Vibe” 2009




“Vibe” é o 7º álbum  ( o 1º só no formato digital )  do cantor, compositor, músico e produtor baiano, radicado em São Paulo desde 1991.

A idéia de gravar essas novas canções surgiu com a visita ao Brasil  do músico e professor de flauta Tilo Baumheier, um alemão radicado na Holanda que veio ao país pela primeira vez para conhecer de perto a nossa terra e a nossa música.

Ao se conhecerem a empatia foi imediata, e Péri, ao aceitar um pedido de Tilo para que tocassem juntos algumas músicas inéditas e tambem do cancioneiro popular, acabou gostando do que ouviu e transformou essas surpreendentes e “boas vibrações” em material para ser lançado.

As gravações duraram poucos dias e foram feitas em São Paulo nos estúdios Baticum, onde Péri e seu sócio, o músico e maestro Rodrigo Fonseca, produzem canções e trilhas para o mercado fonográfico e publicitário.

Além de “Antes que seja tarde” “Opinião” e “Minha identidade” sambas com levada cançao que têm sua marca pessoal, Péri ainda gravou o samba urbano ‘Sua tristeza” de Gui Valverde e Chico Mattoso, o sincopado samba “Pra lavagem” de Marcelo Quintanilha, (uma viagem sobre a popular e sincrética  festa da Lavagem das escadarias da Igreja do Nosso Senhor Bonfim, padroeiro da Bahia) e ainda a romântica  “O que eu seria sem ti” , uma parceria inédita de Péri com o compositor Alexandre Leão, que contou com a participação do vibrafone de Ricardo Valverde, que tambem toca percussão em outras faixas.

Pois é, esse trio de guitarra semi acústica (Péri), flauta (Tilo) e percussão (Ricardo), reunido de repente e de forma tão inusitada fazem uma bela e deliciosa  “vibe” musical, que com certeza tocará o coração de todos, não apenas por ser simples, elegante e original, mas tambem por representar a verdade no prazer de fazer “só” música.E que música.

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2010

Atualmente Péri se dedica, junto com o parceiro Rodrigo Fonseca, a produção de Discos e Trilhas Comerciais no seu estúdio Baticum.